Querida Pandora,
É assim que me sinto: num bonde andando. A diferença é que eu desconheço o destino, as paradas e as pessoas. Não sei quem é a senhora de guarda-chuva amarelo sentada ao meu lado. Não sei quem é a beata no final do banco, cheia de terços e bíblias nas mãos . O casal colegial eu também desconheço. O cobrador anuncia uma parada que eu não localizo no mapa e nem no coração.
às vezes, querida, a velocidade me parece boa, apesar da sensação ser de horas correr demais e horas quase nem andar. E eu, meio cega, continuo sem saber o destino. Penso em descer, mas arde em mim o medo de optar por um lugar igualmente estranho. Para onde iria, Pandora ? Em que rua estaria ?
Penso em ficar, mas a sensação de ser guiada por um motorista desconhecido, e de chapéu engraçado, também me apavora. Vou caminhar entre os bancos, escondida do cobrador ( tenho a sensação de que ele reclamaria se me visse ). Vou procurar alguém que tenha um mapa. Mas...será que encontro ?
Pandora, quando vc chega ?
beijos
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