terça-feira

Como é duro precisar...

Pandora,

Você sabe bem que uma das coisas mais difíceis para mim é “precisar”. Mas, surpreendentemente, uma das mais fáceis é que precisem de mim. A segunda é uma qualidade, mas a primeira é um erro que preciso corrigir. Dizer que quando precisamos de alguém deveria ser algo de belo. Mas não é assim que percebo ou sinto isso. Ainda mais alguém como eu. Já tive vários momentos, várias oportunidades de vivenciar um instante que para qualquer pessoa próxima de mim parece ser desesperador: o instante em que me fragilizo, me emociono, me permito precisar de alguém. Seja para ganhar colo, atenção, amor, carinho, abrigo. As pessoas acostumam-se a me ver mulher. E a mulher que elas vêem é forte e durona, senhora de si e das coisas que acontecem. As pessoas contam com esta mulher, desabafam, esmeram-se na postura dela que, em teoria, agüenta tudo. Mas as pessoas não conseguem perceber que nessa mulher mora uma menina. E que essa menina às vezes é apenas isso, menina. Não tão forte, raramente durona, nada senhora, bastante fragilizada pelas coisas que acontecem e que, ao contrário do que pensam, ela já não agüenta mais nada. E todas as vezes que a minha menina saiu, ela voltou assustada, endurecida, triste, decepcionada com a frieza e o egoísmo das pessoas que não abrem espaço para ela, que não a percebem e não a recebem como poderiam. E cada vez que a minha menina saiu, ela envelheceu. E por isso, é cada vez mais difícil para ela precisar de alguém. Tenho medo que a minha menina sufoque em si mesma. E por isso, de tempos em tempos, corro, danço na chuva sem nenhuma razão aparente e assusto as pessoas com a inocência dela. E hoje já não me importa mais que elas não entendam. A minha menina é peralta e precisa sair e viver. Dá LICENÇA!

Um beijo, amiga.

Nenhum comentário: